Conflito EUA x Irã: Provazzi alerta para risco de desabastecimento de diesel no agro

Em entrevista ao programa Mercado e Companhia, economista e Gestor de Riscos detalha como a volatilidade no Estreito de Ormuz encarece o diesel e ameaça a oferta de insumos para o campo.


Por Time Provazzi

O acirramento das tensões no Oriente Médio, com o conflito entre Estados Unidos e Irã entrando em sua quarta semana, já reflete diretamente nos custos de produção do agronegócio brasileiro.

Em entrevista ao programa Mercado e Companhia, do Canal Rural, nesta segunda-feira (23), o economista e gestor de riscos Rodrigo Provazzi, CEO da Provazzi Consultoria, analisou o cenário de incertezas que assombra o campo, especialmente no que diz respeito à oferta de combustíveis e fertilizantes.

Segundo Provazzi, embora o governo norte-americano sinalize tréguas temporárias, o mercado vive um momento de extrema volatilidade, que as promessas diplomáticas nem sempre se traduzem em estabilidade econômica. Para o produtor rural, o temor não é apenas com a alta dos preços, mas com a real disponibilidade de insumos essenciais para a colheita e o plantio.

O especialista destacou que o Brasil enfrenta um paradoxo estrutural: apesar de ser um grande produtor de petróleo bruto, o país é dependente da importação de diesel refinado. Essa vulnerabilidade logística e industrial faz com que qualquer instabilidade no Estreito de Ormuz — por onde passa boa parte do petróleo mundial — chegue rapidamente às bombas dos postos brasileiros, elevando o custo do frete e a manutenção das lavouras.

Durante a entrevista, Rodrigo Provazzi também alertou para relatos de desabastecimento em diversas regiões do interior do país, onde a distribuição de diesel já sofre reduções drásticas. Ele reforça que a gestão de riscos e a resiliência corporativa tornaram-se ferramentas de sobrevivência para o empresário do agro enfrentar este ciclo de incertezas globais.


CONFIRA O RESUMO DOS PONTOS PRINCIPAIS:

Incerteza e disponibilidade: O problema central ultrapassou a barreira dos preços. Mais do que o diesel a R$ 8,00 em certas regiões, a preocupação estratégica agora é a escassez física do produto, o que pode paralisar máquinas e colheitas.

Dependência externa e refino:O Brasil vive um paradoxo: é autossuficiente em petróleo bruto, mas dependente da importação de diesel refinado. Essa lacuna na infraestrutura nacional expõe o agronegócio diretamente às crises geopolíticas globais.

Defasagem e mercado internacional: A política de preços interna e a distância em relação às cotações internacionais criam uma pressão represada. Para o setor produtivo, essa incerteza sobre o próximo reajuste dificulta qualquer planejamento de longo prazo.


Assista a entrevista:




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