Por Time Provazzi
Nesta entrevista para o canal Agro Mais, Rodrigo Provazzi analisa os impactos da recente rejeição parlamentar na Suíça sobre o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio.
Provazzi discute as perspectivas para a aprovação do tratado, o cenário de protecionismo global, os desafios regulatórios para os exportadores brasileiros e como o agronegócio nacional pode se posicionar estrategicamente diante das novas demandas internacionais por sustentabilidade e conformidade.
Confira a entrevista dele à jornalista Regina Dourado:
Regina: Rodrigo, quero começar te perguntando dessa rejeição da Câmara Baixa da Suíça, se ela apresenta um atraso pontual ou pode colocar em risco o acordo de livre comércio entre Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio. Como você está acompanhando o cenário atual desse assunto?
Rodrigo Provazzi: Eu venho trabalhando com um cenário de baixa probabilidade de que o acordo não aconteça, mas uma alta probabilidade de que ele tenha alguns atrasos relevantes. O que chamou muita atenção no que aconteceu na Suíça foi que tanto parlamentares da direita quanto da esquerda votaram contra o acordo.
Regina: Na sua avaliação, então, ainda há possibilidade de o acordo ser aprovado futuramente ou será necessário renegociar partes importantes do texto?
Rodrigo Provazzi: Acredito que sim, um acordo vai acontecer, talvez demore mais tempo do que imaginávamos ou do que gostaríamos. A necessidade de se negociar um ou outro tema, principalmente regulatório, também está na mesa. Mas a mensagem aqui para o exportador brasileiro é que a demanda por uma maior conformidade com os temas regulatórios não vai diminuir. É o momento de se preparar para atender essa demanda e ser inteligente em como demonstrar que temos práticas sustentáveis no Brasil.
Regina: Até pegando esse gancho, o agronegócio brasileiro seria um dos principais beneficiados por esse acordo. Quais oportunidades na sua avaliação ficam em suspenso com essa decisão?
Rodrigo Provazzi: As oportunidades continuam existindo, sofrendo um atraso, e eu acho que a gente continua com poder de barganha bastante importante. Somos bastante competitivos e o mercado global está mais restrito. Recentemente, por exemplo, o Marrocos proibiu a exportação de sardinha para qualquer outro país. O Brasil continua sendo um grande provedor de alimentos para o mundo e acho que temos que aproveitar essa situação favorável.
Regina: Precisamos falar também sobre o cenário em que o Brasil tem sofrido diferentes tipos de restrições e exigências da União Europeia, tarifas adicionais da China e medidas protecionistas. Estamos diante de um movimento global de maior protecionismo?
Rodrigo Provazzi: Sim, essa é uma tendência que vem acontecendo já há alguns anos e, desde o ano passado, ela se materializou. É um momento de protecionismo global, o que pode gerar algum tipo de retração no curto prazo e atraso nessas negociações. Mas eu acredito que essa tendência tende a virar no futuro.
Regina: Como essas barreiras afetam a formação dos preços recebidos pelos produtores brasileiros? Há impacto imediato ou aparece apenas no médio prazo?
Rodrigo Provazzi: No curto prazo, o produtor, não tendo para onde escoar sua produção, tende a baixar o preço do produto final. Mas, a médio prazo, essa série de demandas regulatórias, principalmente relacionadas à sustentabilidade, pode permitir que trabalhemos com maior valor agregado. Como estamos falando de um acordo com uma região de poder aquisitivo elevado, pode haver a oportunidade para aumentar o preço no médio prazo.
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