Correio da Manhã: Provazzi analisa mais uma imposição tarifária dos EUA ao Brasil


14 de julho de 2026 | 20:37
Gabriela Gallo

Faltando menos de 24 horas para o governo dos Estados Unidos (EUA) definir se implementará (ou não) as tarifas de 25% contra produtos brasileiros, prazo que termina nesta quarta-feira (15), o governo federal se prepara para responder sobre as novas taxas norte-americanas na exportação de produtos brasileiros aos EUA.

Apesar da recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em voltar atrás sobre a cobrança de um pedágio de 20% no Estreito de Ormuz, o Palácio do Planalto e especialistas consideram que as chances de Trump desistir do tarifaço são muito baixas.

“É improvável que o governo americano desista totalmente da retórica tarifária, dado o perfil de política externa de Donald Trump. O mais provável é o uso de adiamentos ou a concessão de isenções setoriais em troca de alinhamentos específicos em outras pautas de interesse dos EUA (como propriedade intelectual, regulação digital ou compras governamentais)”, detalhou o professor de Economia do Ibmec Brasília Renan Silva, em conversa com o Correio da Manhã. (…)

Publicado originalmente em Correio da Manhã


Impactos

O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirma que as tarifas gerais de 25% para produtos brasileiros é resultado de uma investigação de uma suposta prática desleal contra produtos americanos. Cita medidas como o Pix, acordos comerciais com outros países e a proteção de propriedade intelectual norte-americana (combate à pirataria).

Além disso, vale destacar que, para além das taxas de 25% os EUA acusam o Brasil de integrar um grupo de países que, em tese, falha no combate ao trabalho forçado, o que pode determinar uma tarifa adicional de 12,5%. Ou seja, se forem confirmadas ambas as tarifas, a taxação contra produtos brasileiros pode chegar a 37,5%.

O economista e gestor de riscos Rodrigo Provazzi avalia que, baseado nas informações disponíveis até o momento, ambas as tarifas “podem ser cumulativas para produtos e setores abrangidos pelas duas medidas, desde que não estejam contemplados nas listas de exceção definidas pelas autoridades americanas”.

“Entretanto, a aplicação efetiva dependerá dos regulamentos finais, da classificação tarifária de cada produto e das exceções eventualmente concedidas. Na prática, o impacto tende a ser mais relevante”, ele destacou em entrevista ao Correio da Manhã.

Questionado pela reportagem, Rodrigo Provazzidetalhou que os impactos econômicos estão distribuídos em três frentes: perda de competitividade das exportações brasileiras para os Estados Unidos; o impacto sobre investimentos e planejamento empresarial; e os efeitos indiretos sobre emprego e atividade econômica em setores exportadores.

“O impacto agregado na economia brasileira dependerá da duração das medidas, da existência de negociações diplomáticas e da capacidade das empresas de redirecionar vendas para outros mercados. Além do efeito econômico direto, esse tipo de medida amplia significativamente o risco regulatório e geopolítico para as empresas. Organizações com exposição internacional precisarão fortalecer seus processos de monitoramento de cenário, gestão de riscos e planejamento estratégico para responder com maior velocidade a mudanças na política comercial global”, explicou o economista.



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